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1 de mar de 2012

Utopia? Utopia? Utopia? Utopia? uyopia






Por Fêres El Assal



Um mundo perfeito onde todos são felizes, iguais, sem preconceitos, com total liberdade de expressão, ninguém te persegue, todos sabem que você é importante e deve ser respeitado e compreendido como você é. Conto de fadas? Parece ser realmente uma das várias historias que escutamos quando crianças, mas não dessa vez. A Organização das Nações Unidas (ONU) deu um pequeno passo para que a sociedade caminhe para um perfeito estado de harmonia e união: A Declaração Universal dos Direitos Humanos. Perfeito, nem mesmo a mais popular das religiões (o capitalismo) prega tamanho grau moral. Apesar disso, todo grande avanço é acompanhado de um problema deveras extenso.
A ideia inicial era a de que todas as nações adotariam a declaração como um molde de desenvolvimento. Educação, saúde, trabalho, propriedade; quantas vezes nos prometem melhorias em tais áreas? Pelo menos se a declaração fosse levada a sério, isso já não seria problema, mas sim solução. Mais de 200 países basearam seus códigos civis e constituições na declaração, mas nenhum desses países conseguiu praticá-la. Exemplo? O Líbano é dos países do oriente médio que trava uma guerra com Israel desde 1948 (tendo-se em vista que os palestinos foram “chutados” da região com a criação do estado judeu, logo, alguma nação aliada iria tomar as dores dos exclusos). Uma vergonha para duas nações que baseiam seus códigos na declaração.
Parece ser tão simples, é só seguir essa receita que tudo dá certo, mas em qual sociedade todos os indivíduos tinham direitos iguais? Os romanos aceitavam em seu vasto império a variedade de culturas, religiões, mas uma resistência de algum grupo a ser dominado resultava em um massacre. Os árabes em sua expansão islâmica baniram a base de espada e sangue os politeístas em seus caminhos. Os americanos usam bombas e sanções econômicas em quem se opõe a sua política imperialista/capitalista. Sempre foi e sempre vai ser assim, a força é quem defende os direitos que uma nação imagina ter.
É algo absolutamente utópico imaginar uma harmonia universal. Em nenhum momento de toda a humanidade houve e jamais haverá consentimento de que todos são iguais (independente de sexo, raça, nacionalidade ou time de futebol). O homem não pratica e não ensina seus filhos a praticar a compaixão com o próximo, não é de uma vez que vamos aprender que o diferente não nos atrapalha.
Com tantos deveres presentes em todos os artigos da declaração (por exemplo, no artigo 26: “(...) a educação deve ser gratuita (...) o ensino técnico deve ser generalizado (...)”, entre outros), poderiam encontrar alguma maneira de gradativamente ensinar a humanidade de que respeitar o diferente é respeitar a si mesmo. Se isso não acontecer, caminharemos cada vez mais para o estado inicial humano descrito por Thomas Hobbes em “O leviatã” – o estado de guerra. Afim de tudo isso, bem que a ONU poderia criar uma Declaração Universal dos DEVERES Humanos, porque todos nós nascemos com direitos, mas quem nos ensina a respeitar os direitos dos outros de forma clara e eterna?

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